Sinto-me pesado como um saco de areia...
Não! Sinto-me como uma flor em Marte!
Desespero: sinto-me apenas cheio de pedras
que me tornam vazio e sem fim
Não as respiro nem as sorvo
Tudo parece uma feira de vaidades
um triste festim
Porque o que devia esticar como a sola dos meus pés
Quebrou-se p'ró que resta de mim
My_Little_Bedroom
domingo, 4 de outubro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
[NÚCLEO DE RÁDIO] THE DOUPS

Estamos em pleno fim de férias e quase de volta à actividade. Num Verão rico em Festivais e música, muito se passou e abafou a chamada "silly-season".
Se estamos de volta à actividade, também a faculdade está aí...
(ahm...time to rewind...)
Coisas importantes: quem se lembra dos The Doups? Estiveram, para minha surpresa, nas Purple Sessions versão 09, pois já os conhecia da Internet e da blogosfera e não acreditava que pudéssemos ter o privilégio de ter uma banda jovem mas já tão bem organizada a concurso. Foi o que desde sempre mostraram, com a postura profissional mas aberta, como pude ver pelas poucas palavras que pude trocar com o André, baterista da banda, pelo o EP que já sabia ter sido gravado em Inglaterra a convite de Harvey Birrell que já tinha produzido temas dos Buzzcocks, por exemplo, e depois pela actuação, onde se viu uma banda perfeitamente entrosada e ciente da sua música, não escondendo as raízes do que tocam, e com "Try Lie Die Whatever" como um single mais que óbvio. Não foram premiados, e com prémio ou sem prémio já eram uma banda com boas perspectivas de internacionalização, até mais do que lançamento no mercado nacional pelo que me pareceu.
Se estamos de volta à actividade, também a faculdade está aí...
(ahm...time to rewind...)
Coisas importantes: quem se lembra dos The Doups? Estiveram, para minha surpresa, nas Purple Sessions versão 09, pois já os conhecia da Internet e da blogosfera e não acreditava que pudéssemos ter o privilégio de ter uma banda jovem mas já tão bem organizada a concurso. Foi o que desde sempre mostraram, com a postura profissional mas aberta, como pude ver pelas poucas palavras que pude trocar com o André, baterista da banda, pelo o EP que já sabia ter sido gravado em Inglaterra a convite de Harvey Birrell que já tinha produzido temas dos Buzzcocks, por exemplo, e depois pela actuação, onde se viu uma banda perfeitamente entrosada e ciente da sua música, não escondendo as raízes do que tocam, e com "Try Lie Die Whatever" como um single mais que óbvio. Não foram premiados, e com prémio ou sem prémio já eram uma banda com boas perspectivas de internacionalização, até mais do que lançamento no mercado nacional pelo que me pareceu.
Durante as férias, pesquisei vídeos dos The Doups na Internet a propósito do festival Rock One e fiquei a saber que os The Doups integraram com cerca de 900 bandas um concurso chamado "Supajam Fast Track to FIB" que lhes poderia dar acesso a um dos palcos deste ano do Festival Internacional de Benicassim, um dos mais prestigiantes de toda a Europa (e cujo line-up podem ver no fim do artigo) e que sustenta inevitavelmente os nossos festivais, dado ser em Espanha e permitir às bandas fazer um pequeno desvio e tocar em Portugal, como aconteceu este ano com os The Killers. No final, integraram o TOP5 das melhores bandas e puderam tocar em Londres para casa cheia e um painel relevante de júris da indústria musical mundial, e apesar de não terem ganho, puderam ir a Benicassim com todas as despesas pagas e assistir em pleno palco aos Franz Ferdinand. Um feito de assinalar e registar com o maior prazer; mais uma prova que temos um mercado pequeno mas de potencial exportação com sucesso e sem complexos de inferioridade.
Não pretendendo ou conseguindo ser especialmente inovadores, têm uma frescura pouco vista no som e a certeza de não serem mais uma promessa musical.
Não pretendendo ou conseguindo ser especialmente inovadores, têm uma frescura pouco vista no som e a certeza de não serem mais uma promessa musical.
A 14 de Setembro sai o novo EP dos The Doups, "Six O' Clock Shadow". Em baixo fica o fantástico cartaz do FIB 2009 e "Try Lie Die Whatever" tocado ao vivo no Pigalle Club, em Londres.

Podem ler esta notícia e outras no (desactualizado) blog do NR-AEFFUL: nucleoradioaefful.blogspot.com
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A pop caiu também
"O mundo é para quem nasce para o conquistar.
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão."
TABACARIA
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Estafadíssimo de mais uma época de exames desgastante, cheguei a casa apenas às 11 da noite.
Fui matar saudades do poder informativo da Internet e correr todos os sítios de interesse intelectual, incluindo alguns sites informativos americanos. Entretanto, li um título. "Michael Jackson morreu". Pensei que era mais uma paródia feita de paragonas no título. Percebi que havia alguém que tinha mesmo avançado com essa notícia, mas era o TMZ.com (sítio sobre o qual ouvi palavras incrivelmente duras ontem nos media portugueses, que não admitem menos que uma "conspurcação" da vida dos famosos feita nesse site). Meia-hora depois, todo o Mundo começou a falar sobre este acontecimento. E, no fim, acordei ainda mais cansado do que já estava antes de tudo isto.
Não há muito a dizer de alguém que aos 5 anos, já era cabeça-de-cartaz de uma banda, por sinal os Jackson 5, nenhuns desconhecidos.
Recordo com imensa saudade já "Beat It", uma das mais gigantescas canções "pop" alguma vez feitas. Quando parecia finalmente começar a granjear dentro do público global que o conhece mais ou menos bem um estatuto definitivo de indefectível na cultura pop depois de abafado por quase 20 anos de decadência a vários níveis, quando o único disco que até hoje vendeu mais de 100 milhões de cópias em todo o Mundo e que é o "sonho americano" da indústria discográfica mundial fez 25 anos, quando artistas vários lhe foram mostrando respeito e raízes (veja-se o caso dos Fall Out Boy que fizeram uma cover de, precisamente, "Beat It"), quando prometia voltar para um último adeus, o estuque caiu.
Tudo o que representa a canção em vídeo encontra-se veiculado no comentário que fiz hoje no PLANETA POP:
"Nem de propósito, quando soube da notícia tinha acabado de chegar a casa e estive toda a noite a ver a sky e a CBS. Foi também a música que me veio logo à cabeça e a que mais gosto, sem dúvida. Resume tudo o que Michael Jackson foi: o protótipo perfeito de estrela pop, com uma grande equipa atrás, mas com qualquer coisa a mais que os demais, qualquer coisa a mais para a sua época. Um arquétipo díficil de esquecer e suplantar pelas ruas da pop contemporânea para massas, sem dúvida."
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão."
TABACARIA
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Estafadíssimo de mais uma época de exames desgastante, cheguei a casa apenas às 11 da noite.
Fui matar saudades do poder informativo da Internet e correr todos os sítios de interesse intelectual, incluindo alguns sites informativos americanos. Entretanto, li um título. "Michael Jackson morreu". Pensei que era mais uma paródia feita de paragonas no título. Percebi que havia alguém que tinha mesmo avançado com essa notícia, mas era o TMZ.com (sítio sobre o qual ouvi palavras incrivelmente duras ontem nos media portugueses, que não admitem menos que uma "conspurcação" da vida dos famosos feita nesse site). Meia-hora depois, todo o Mundo começou a falar sobre este acontecimento. E, no fim, acordei ainda mais cansado do que já estava antes de tudo isto.
Não há muito a dizer de alguém que aos 5 anos, já era cabeça-de-cartaz de uma banda, por sinal os Jackson 5, nenhuns desconhecidos.
Recordo com imensa saudade já "Beat It", uma das mais gigantescas canções "pop" alguma vez feitas. Quando parecia finalmente começar a granjear dentro do público global que o conhece mais ou menos bem um estatuto definitivo de indefectível na cultura pop depois de abafado por quase 20 anos de decadência a vários níveis, quando o único disco que até hoje vendeu mais de 100 milhões de cópias em todo o Mundo e que é o "sonho americano" da indústria discográfica mundial fez 25 anos, quando artistas vários lhe foram mostrando respeito e raízes (veja-se o caso dos Fall Out Boy que fizeram uma cover de, precisamente, "Beat It"), quando prometia voltar para um último adeus, o estuque caiu.
Tudo o que representa a canção em vídeo encontra-se veiculado no comentário que fiz hoje no PLANETA POP:
"Nem de propósito, quando soube da notícia tinha acabado de chegar a casa e estive toda a noite a ver a sky e a CBS. Foi também a música que me veio logo à cabeça e a que mais gosto, sem dúvida. Resume tudo o que Michael Jackson foi: o protótipo perfeito de estrela pop, com uma grande equipa atrás, mas com qualquer coisa a mais que os demais, qualquer coisa a mais para a sua época. Um arquétipo díficil de esquecer e suplantar pelas ruas da pop contemporânea para massas, sem dúvida."
sábado, 18 de abril de 2009
III PURPLE SESSIONS

Sim, finalmente, as Purple Sessions estão aí.
Nas próximas 2 semanas passarão pelo MusicBox 6 exemplos da vitalidade da música portuguesa em diversas vertentes.
As expectativas, talvez, estarão mais altas que nunca, portanto conto com a presença de todos no MusicBox.
Divulguem e apareçam! Não há como se arrependerem...
sábado, 4 de abril de 2009
...REPEAT ON REPEAT ON...
Um dos hinos indie-pop de 2009.
Para ouvir a tirar polaroids de irreverência com uns ténis quaisquer muito "trendy" que insistem em saltar do banco de jardim quando o flash dispara.
É assim a juventude: é termos a consciência que algo jovem nos torna velhos, mas o prazer será sempre o mesmo.
P.S: O vídeo é um demente romance de criaturas tão delirantes como o sentido pop deste tema.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Tempo de me voltar para os álbuns antigos dos Animal Collective e revê-los pela ducentésima vez.
Agora sim, estou arrasado de ter sido tão facilmente conquistado por um disco deles.
Fabuloso! Certamente um dos álbuns do decénio até.
P.S: Vou continuar a votar nesta canção na pull do blog da Radar quantas vezes que conseguir! Entretanto, alguém que me diga a que "curls" se referem estes senhores...é que deles já espero absolutamente tudo. Vou tomar isto como uma canção dementemente psicadélica que pode levar ao choro convulsivo numa "trip" de cogumelos sobre uma história onírico-romântica qualquer passada num qualquer sonho...
domingo, 29 de março de 2009
PLAYLIST - 9/3/2009

Depois de algum tempo em que diversas coisas impediram o normal funcionamento da Rádio da AEFFUL (ex: campanha eleitoral em finais de 2008), eis que agora, com a reorganização devida, estamos prontos para o que resta deste ano de actividades 08/09, com as Purple Sessions no horizonte. Durante a semana, elegemos os Radiohead para "Artista Da Semana", e coube-me a mim fazer parte das minhas duas horas deste dia passando "OK Computer", o ou pelo menos um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos, por sinal.
Fica a playlist:
RADIOHEAD - OK COMPUTER
1. Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For a Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing Up The Walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist
MUSE: muscle museum (showbiz, 1999)
JOY DIVISION: heart and soul (closer, 1980)
THE LAST SHADOW PUPPETS: standing next to me (the age of the understatement, 2008)
TV ON THE RADIO: halfway home (dear science, 2008)
PORTISHEAD: wandering star (live, 1995 - original incluído em dummy, 1994)
MUTE MATH: noticed (mute math, 2006)
BLOC PARTY: zephyrus (intimacy, 2008)
RITA REDSHOES: your waltz (golden era, 2008)
THE KILLERS: human (day & age, 2008)
WRAYGUNN: everything's gonna be ok (shangri-la, 2007)
INTERPOL: pda (turn on the bright lights, 2001)
Infelizmente, a fechadura da porta da sala da rádio está inutilizável, e até agora, vá-se lá saber porquê, ainda continuamos à espera de podermos retomar as emissões. Recorde-se que também estamos limitados a transmitir apenas na sala anexa ao bar da FFUL, para que não haja mais incómodo com quem passa pelo bar durante a semana. Estamos a estudar a hipótese de colocar colunas na esplanada para que possamos ser mais, e quem sabe, melhor escutados e para que possamos finalmente ter em definitivo o nosso espaço na FFUL.
Saudações a todos.
André Gomes de Abreu
NR-AEFFUL (nucleoradioaefful.blogspot.com)
2ª e 4ª Feira - 14/16h
sábado, 14 de março de 2009
PURPLE SESSIONS

PURPLE SESSIONS? AHN?
Sim. Este é O projecto do Núcleo de Rádio da AEFFUL e que muito contente me tem deixado, já que este ano me juntei ao núcleo.
Porquê o nome Purple Sessions?
Faz sentido, na medida que a cor do curso de Ciências Farmacêuticas é o roxo. O resto é puro prazer ou desprazer auditivo ligado ao marketing.
O que são as Purple Sessions?
As Purple Sessions são um concurso de novas bandas portuguesas que, em regra geral, não têm LP's editados.
Há quanto tempo existem?
As Purple Sessions vão na sua 3ª edição, existindo logo desde a formação do Núcleo de Rádio.
Onde é que se realizam?
As Purple Sessions realizam-se no MusicBox, em Lisboa, em datas não fixas.
Qual o formato das Purple Sessions?
Este ano, as Purple Sessions são compostas de 2 dias onde actuarão um total de 6 bandas, 3 por cada data. Depois de ouvidas todas as bandas, é escolhida no final da última data a banda vencedora.
Quem é que foram os vencedores das 2 anteriores edições?
A primeira edição das Purple Sessions realizou-se em Maio de 2007, com mais de 15 bandas inscritas. Os vencedores foram os Bar. Na 2ª edição, em Abril de 2008, os vencedores foram os Soulfato.
Quando será a edição deste ano?
No início do mês seleccionámos 6 bandas de um lote de 16 com base em maquetes ou EP's que nos enviaram. Brevemente teremos as datas e os line-ups de cada dia.
Mais informações, consultem o blog do Núcleo em nucleoradioaefful.blogspot.com ou o regulamento das Purple Sessions em purplesessions.blogspot.com/. Podem também encontrar-nos na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
Diz quem sabe que este ano temos mais uma vez bandas a sério...mas chiu que ninguém sabe!eheheh
Apareçam!
domingo, 8 de março de 2009
Whenever we hold each other
We hold each other
There's a feeling that's gone
Something has gone wrong
And I don't know how much longer I can take it
House made of heart break it
Take my head in your hands and shake it
in this near wild heaven
Not near enough.
Living inside
Living inside
Near wild heaven
Whatever it takes I'm giving
It's just a gift I'm given
Try to live inside
Trying to move inside
And I always thought that it would make me smarter
But it's only made me harder
My heart thrown open wide
In this near wild heaven
Not near enough.
Living inside
Living inside
Near wild heaven
I'm holding my hands together
I'm holding my feet together
I'm holding myself together
In this near wild heaven
Not near enough
Sem dúvida que a homenagem a uma música é, simplesmente, ouvi-la. Obrigado ao VH1 pelos fins-de-semana dedicados aos U2 e R.E.M.
Talvez decida brevemente deixar de dizer que esta é uma das minhas músicas favoritas de sempre de uma das bandas da minha vida para ter a desonra de usar tão grande memória como uma aguarela de qualquer banal coisa que aconteça...
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Quem, onde, quando...?
Há quanto tempo não treino os meus sonhos?
Parecem electrónicas avariadas, aparelhos queimados
que cheiram a perfume ao sabor do vento
Concentro todos os meus pequenos músculos
na inércia com que os próprios sonhos se queimam vivos
como se fosse eu Deus e eles as blasfémias
a minha companhia preferida para jogar às escondidas
e desafiar todos os meus pesadelos acordados
para um sem fim
de estrepitosas boémias
sem mim
Logo de seguida
Assalta-me um pânico enorme
De conseguir escrever tudo o que quero
Como se fosse fácil
E não tivesse mais que
um fantasma de mente descaída e disforme
My_Little_Bedroom
26/2/09
LAMBCHOP - SLIPPED, DISSOLVED AND LOOSED (OH (ohio), 2008)
Parecem electrónicas avariadas, aparelhos queimados
que cheiram a perfume ao sabor do vento
Concentro todos os meus pequenos músculos
na inércia com que os próprios sonhos se queimam vivos
como se fosse eu Deus e eles as blasfémias
a minha companhia preferida para jogar às escondidas
e desafiar todos os meus pesadelos acordados
para um sem fim
de estrepitosas boémias
sem mim
Logo de seguida
Assalta-me um pânico enorme
De conseguir escrever tudo o que quero
Como se fosse fácil
E não tivesse mais que
um fantasma de mente descaída e disforme
My_Little_Bedroom
26/2/09
LAMBCHOP - SLIPPED, DISSOLVED AND LOOSED (OH (ohio), 2008)
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
A MELHOR CANÇÃO DE 44 EDIÇÕES DO FESTIVAL DA CANÇÃO RTP
É verdade, tenho quase 20 anos e não trocaria a noite de ontem, primeiro em casa, depois em convívio com alguns amigos, a descobrir qual seria a canção eleita pelos Portugueses que se interessaram por tentar escolher a melhor canção de entre 44 canções vencedoras dos Festivais da Canção da RTP por qualquer festa de Entrudo. Até digo mais: no mínimo, o Carnaval provoca-me, no geral, indiferença. Dos tempos de estudante sobram as férias, dos tempos de trabalhador irão restar o feriado e eventuais tolerâncias de ponto que deixem a faculdade de poder passar bem longe de mais consumismo e de mais confusão - não poderia ser de outra forma quando todos nós escolhemos a mesma noite para celebrar...o mesmo.
Apesar do pretexto mais profundo deste conceito de concurso composto por 4 sessões semanais em que 3 canções foram escolhidas para totalizar uma dúzia que pudemos observar e escutar 2 vezes na antena da radiotelevisão portuguesa ser de raiz mais uma terrível tentativa de singularizar e reduzir a pequenas sentenças o gosto plural do espectador, e evidentemente, o de obter audiências e de certamente afimar num panorama televisivo generalista de 4 canais de vez que "a televisão é para velhos, o trabalho para os novos", era à hora neste mesmo panorama o programa talvez mais estimulante que poderia ser presenciado, podendo nós relembrar 12 excelentes canções que, embora sendo todas de um passado mais ou menos recente e de ancorarem a percepção dos telespectadores a um passado musical que parece não poder ser sequer igualado, são, definitivamente, 12 excelentes poemas. Pena que tenho de quem não tem, como eu tenho ao lado, TV por cabo...
Ao longo destas 4 semanas, de tudo houve. Versões péssimas e tão boas ou melhores que as originais, e na grande final, uma cantora rouca e um cantor que se esquece da letra de "Playback" de Carlos Paião. Uma autêntica rollercoaster!
Duas figuras emergiram subrepticiamente por marcarem presença em mais de uma canção eleita: Simone de Oliveira, a intérprete de voz refulgente do "Sol de Inverno" e d' "A Desfolhada Portuguesa"; Ary dos Santos, o poeta (e declamador) extraordinário responsável pela poema/letra desta última canção e de "Menina" de Tonicha.
Mas qual afinal a MELHOR CANÇÃO? Noutro programa havia sido eleita como melhor canção portuguesa "Cinderela" de Carlos Paião. Aqui havia "Playback" para votar, que até terá sido uma das mais votadas, mas quem venceu a contenda foi "Senhora do Mar", a canção vencedora do 44º Festival da Canção RTP, de 2008.
Não querendo ofender ninguém em Portugal por fazer finca-pé da minha embirração com o facto de ter de escolher uma canção favorita, escolher a canção mais recente como a melhor canção da história do Festival da Canção RTP tem uma possível explicação empírica associada (foram apenas os madeirenses e que terão votado? Até poderiam ter sido os mais jovens...mas onde estavam eles a essa hora?) tão absurda como o conjunto das razões não objectivas que poderemos encontrar para explicar tamanha efeméride - mesmo reconhecendo que a sua presença neste lote de 12 canções é inteiramente justa, sendo uma das canções da minha preferência.
Para terminar, deixo a lista das 6 canções que me encantam mais hoje em dia, recolhendo aqui um vídeo da melhor versão escutada (sempre que a RTP deixar...) e da mais marcante ou mais bela interpretação do cantor original:
"TOURADA" - FERNANDO TORDO
"MENINA" - TONICHA
"UM GRANDE, GRANDE AMOR" - JOSÉ CID
"A DESFOLHADA PORTUGUESA" - SIMONE DE OLIVEIRA
"PLAYBACK" - CARLOS PAIÃO
"E DEPOIS DO ADEUS" - PAULO DE CARVALHO
Apesar do pretexto mais profundo deste conceito de concurso composto por 4 sessões semanais em que 3 canções foram escolhidas para totalizar uma dúzia que pudemos observar e escutar 2 vezes na antena da radiotelevisão portuguesa ser de raiz mais uma terrível tentativa de singularizar e reduzir a pequenas sentenças o gosto plural do espectador, e evidentemente, o de obter audiências e de certamente afimar num panorama televisivo generalista de 4 canais de vez que "a televisão é para velhos, o trabalho para os novos", era à hora neste mesmo panorama o programa talvez mais estimulante que poderia ser presenciado, podendo nós relembrar 12 excelentes canções que, embora sendo todas de um passado mais ou menos recente e de ancorarem a percepção dos telespectadores a um passado musical que parece não poder ser sequer igualado, são, definitivamente, 12 excelentes poemas. Pena que tenho de quem não tem, como eu tenho ao lado, TV por cabo...
Ao longo destas 4 semanas, de tudo houve. Versões péssimas e tão boas ou melhores que as originais, e na grande final, uma cantora rouca e um cantor que se esquece da letra de "Playback" de Carlos Paião. Uma autêntica rollercoaster!
Duas figuras emergiram subrepticiamente por marcarem presença em mais de uma canção eleita: Simone de Oliveira, a intérprete de voz refulgente do "Sol de Inverno" e d' "A Desfolhada Portuguesa"; Ary dos Santos, o poeta (e declamador) extraordinário responsável pela poema/letra desta última canção e de "Menina" de Tonicha.
Mas qual afinal a MELHOR CANÇÃO? Noutro programa havia sido eleita como melhor canção portuguesa "Cinderela" de Carlos Paião. Aqui havia "Playback" para votar, que até terá sido uma das mais votadas, mas quem venceu a contenda foi "Senhora do Mar", a canção vencedora do 44º Festival da Canção RTP, de 2008.
Não querendo ofender ninguém em Portugal por fazer finca-pé da minha embirração com o facto de ter de escolher uma canção favorita, escolher a canção mais recente como a melhor canção da história do Festival da Canção RTP tem uma possível explicação empírica associada (foram apenas os madeirenses e que terão votado? Até poderiam ter sido os mais jovens...mas onde estavam eles a essa hora?) tão absurda como o conjunto das razões não objectivas que poderemos encontrar para explicar tamanha efeméride - mesmo reconhecendo que a sua presença neste lote de 12 canções é inteiramente justa, sendo uma das canções da minha preferência.
Para terminar, deixo a lista das 6 canções que me encantam mais hoje em dia, recolhendo aqui um vídeo da melhor versão escutada (sempre que a RTP deixar...) e da mais marcante ou mais bela interpretação do cantor original:
"TOURADA" - FERNANDO TORDO
"MENINA" - TONICHA
"UM GRANDE, GRANDE AMOR" - JOSÉ CID
"A DESFOLHADA PORTUGUESA" - SIMONE DE OLIVEIRA
"PLAYBACK" - CARLOS PAIÃO
"E DEPOIS DO ADEUS" - PAULO DE CARVALHO
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
OASIS @ PAVILHÃO ATLÂNTICO, 15/2/09
Créditos da foto: Rita Carmo, fotógrafa colaboradora da revista "BLITZ"Podem ler esta resenha também em nucleoradioaefful.blogspot.com
No passado Domingo, os irmãos Gallagher e companhia desfilaram durante cerca de 2 horas e meia grande parte dos seus êxitos, embora tendo sempre como pano de fundo o mais recente "Dig Out Your Soul", do ano passado. A promoção do espectáculo mostrou-se bastante eficaz e foi suficiente para ajudar a esgotar os bilhetes disponíveis para a plateia em pé. Mas...muitos
faltaram ao combinado e ficaram por casa, muitos dos que ficaram em pé não tiveram a melhor vista para o palco e muito faltou para, ironicamente, colocar este bom concerto noutro patamar que não o de um vulgar trabalho executado com virtuosismo, em alguns momentos, mas sem brilho. Filhos quase irmãos de um tempo de transição entre os tempos de Madchester, dos quais os Stone Roses fizeram parte e fazem vinco na personalidade dos Oasis, e a descendência brit-pop, os Oasis não entretiveram como se poderia esperar depois de um regresso discográfico com bom gosto. O problema maior? Não se divertiram, sequer, à excepção de quando, dentro do seu inglês acelerado, Noel Gallagher pediu que José Mourinho cedesse aos milhões e fosse treinar o seu Man City - fãs tão arrogantemente confiantes certamente o special one não tem em Milão. Juntando a tudo a uma audiência sedenta de êxitos planetários que os Oasis não têm em abundância e não fidelizada ao seu trajecto, desconstruiu a química psicológica que um bom desempenho vocal e instrumental e um excelente espectáculo visual em rectaguarda tentaram cimentar. "Rock 'n' Roll Star", "Lyla", "I'm Outta Time", "The Importance of Being Idle", "Morning Glory", "Falling Down" e a excelente "Champagne Supernova" foram exemplos bastantes para sair do concerto com boa recordação. No duelo "Wonderwall"/"Don't Look Back In Anger", a última canção ganhou claramente, pondo o público a cantar sem mácula o refrão, aí sozinho, e o que mais houvesse num grande marco musical nos singles de 90. Para acabar, inesperadamente porque se esperava outro "encore", "I Am The Walrus", um tema dos Beatles, que tal como John Lennon, teriam dado algum dedo para escrever e compor um ou dois temas da discografia dos Oasis. In the end, fica-se sem saber se o amor, em ressaca de 14 de Fevereiro, terá ficado em casa ou terá estado nos casais que estiveram ao lado de pais e filhos na maior sala de espectáculos de Portugal e que não viram as deslumbrantes "Stop Crying Your Heart Out" e "Don't Go Away".
ALINHAMENTO:
Fuckin' In The Bushes
Rock'n'Roll Star
Lyla
The Shock Of The Lightning
Cigarettes & Alcohol
The Meaning Of Soul
To Be Where There's Life
Waiting For The Rapture
The Masterplan
Songbird
Slide Away
Morning Glory
Ain't Got Nothin'
The Importance Of Being Idle
I'm Outta Time
Wonderwall
Supersonic
ENCORE
Don't Look Back In Anger
Falling Down
Champagne Supernova
I Am The Walrus
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
É preciso muito para me fazer desistir de um certo artista ou banda em que vejo qualquer coisa. Isso está a acontecer com os Snow Patrol a qualquer momento, direi eu. Entretanto, 2008 (sim, em termos musicais ainda não estou em 2009…enfim) foi, tal como todos os anos, ensaio para muitos – os que deviam e não deviam – e palco quase para outros tantos. Foi o caso flagrante do sucesso em grande escala de “Only By The Night” dos Kings of Leon, por quem se via claramente que a “blogosfera” e a crítica musical pouco dariam. Um sucesso que louvo até porque os Kings of Leon têm trilhado o seu caminho calmamente e têm-me marcado consecutivamente com os seus discos.
Outro caso que a certa altura já me dava cabo da cabeça, até porque neste ano ouvi muita muita RADAR FM, foram os Ben Folds. Se há canções que vêm estampadas como “Outono-Inverno” e que podem claramente sobreviver no giradiscos ao pé da lareira (vou-me servindo do meu como posso claro…com tanto frio e stress) como no rádio do carro de cabelos ao vento e risos alados, “You Don’t Know Me” é disso um extraordinário arquétipo. Fundamental em 2008.
P.S: Sabe bem acordar e ouvir coisas certas, como Nuno Markl a dizer que é a primeira vez em vários anos que não acha esta música dos U2 igual a todas as outras. Eu incluiria nesse grupo também "Vertigo", mas não poderia estar mais de acordo. Saudades extremas de "Achtung Baby" que se vão tornando cada vez mais palpáveis...
Infelizmente, João Aguardela faleceu aos 40 anos e esquecido por este Portugal. Tive o prazer de ver 2 vezes A Naifa e gostava imenso que tivesse sucumbido ao cancro com a aclamação devida. Se pudesse e se não fosse por mal, gostava de ir ao funeral...
BEN FOLDS - YOU DON'T KNOW ME (WAY TO NORMAL, 2008)
Outro caso que a certa altura já me dava cabo da cabeça, até porque neste ano ouvi muita muita RADAR FM, foram os Ben Folds. Se há canções que vêm estampadas como “Outono-Inverno” e que podem claramente sobreviver no giradiscos ao pé da lareira (vou-me servindo do meu como posso claro…com tanto frio e stress) como no rádio do carro de cabelos ao vento e risos alados, “You Don’t Know Me” é disso um extraordinário arquétipo. Fundamental em 2008.
P.S: Sabe bem acordar e ouvir coisas certas, como Nuno Markl a dizer que é a primeira vez em vários anos que não acha esta música dos U2 igual a todas as outras. Eu incluiria nesse grupo também "Vertigo", mas não poderia estar mais de acordo. Saudades extremas de "Achtung Baby" que se vão tornando cada vez mais palpáveis...
Infelizmente, João Aguardela faleceu aos 40 anos e esquecido por este Portugal. Tive o prazer de ver 2 vezes A Naifa e gostava imenso que tivesse sucumbido ao cancro com a aclamação devida. Se pudesse e se não fosse por mal, gostava de ir ao funeral...
BEN FOLDS - YOU DON'T KNOW ME (WAY TO NORMAL, 2008)
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Jesus nasceu mais tarde? Buda zangou-se e veio cá espreitar?
Continuo sem perceber o que é que a passagem do tempo nos pode salvar. Só se o tempo se encarregar de levar consigo os que não mostraram cá em vida, nem em surdina, a sua "magia negra". Que esperança pode trazer mais um novo ano?
É típico: devo andar muito errado e devo ver tudo isto ao contrário.
Mas de uma coisa tenho a certeza: muitos desses humanos são mais do mesmo.
P.S: É arrepiante ler o primeiro comentário a este vídeo no YouTube...
CARLOS PAIÃO - PLAYBACK
(VERSÃO ORIGINAL DA CANÇÃO A CONCURSO NA EUROVISÃO DE 1988 POR PORTUGAL)
Continuo sem perceber o que é que a passagem do tempo nos pode salvar. Só se o tempo se encarregar de levar consigo os que não mostraram cá em vida, nem em surdina, a sua "magia negra". Que esperança pode trazer mais um novo ano?
É típico: devo andar muito errado e devo ver tudo isto ao contrário.
Mas de uma coisa tenho a certeza: muitos desses humanos são mais do mesmo.
P.S: É arrepiante ler o primeiro comentário a este vídeo no YouTube...
CARLOS PAIÃO - PLAYBACK
(VERSÃO ORIGINAL DA CANÇÃO A CONCURSO NA EUROVISÃO DE 1988 POR PORTUGAL)
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Eis duas músicas com que podem fazer o que quiserem. Nem mais, nem menos.
Com a primeira eu ia lançar "cocktails molotov" para o escritório do senhor Madoff.
Com a segunda pedia que o Benfica fosse campeão (esta música serviu este ano como "substituta" de "We Are The Champions" dos Queen na cerimónia de entrega da Supertaça Europeia de futebol). Por uma só noite, apenas aquela noite.
Mais uma vez, deixemo-nos de tretas que vivemos em crise desde o 11 de Setembro e nunca mais o Mundo foi o mesmo. Não há muito tempo para corrigir todos os males que já fizemos em demasia. [Orgulho-me de a cada dia ir engrossando a minha lista e de cair numa vingativa agonia...]
SOULWAX - NY EXCUSE (ANY MINUTE NOW, 2004)
This is the excuse that we're making, is it good enough for what you're paying?
ONE NIGHT ONLY - JUST FOR TONIGHT (STARTED A FIRE, 2008)
Com a primeira eu ia lançar "cocktails molotov" para o escritório do senhor Madoff.
Com a segunda pedia que o Benfica fosse campeão (esta música serviu este ano como "substituta" de "We Are The Champions" dos Queen na cerimónia de entrega da Supertaça Europeia de futebol). Por uma só noite, apenas aquela noite.
Mais uma vez, deixemo-nos de tretas que vivemos em crise desde o 11 de Setembro e nunca mais o Mundo foi o mesmo. Não há muito tempo para corrigir todos os males que já fizemos em demasia. [Orgulho-me de a cada dia ir engrossando a minha lista e de cair numa vingativa agonia...]
SOULWAX - NY EXCUSE (ANY MINUTE NOW, 2004)
This is the excuse that we're making, is it good enough for what you're paying?
ONE NIGHT ONLY - JUST FOR TONIGHT (STARTED A FIRE, 2008)
Take care em 2009!
Não posso dar dois passos
Se o mar que sonho vislumbrar
fosse um espelho a que me visse ,
seria um peixe
que calmamente se alimenta dos outros
com a dor da tenuidade
do resultado final:
não me consigo ver;
sou o meu próprio terminal
e nunca ninguém me disse
BLUR - TENDER (13, 1999)
fosse um espelho a que me visse ,
seria um peixe
que calmamente se alimenta dos outros
com a dor da tenuidade
do resultado final:
não me consigo ver;
sou o meu próprio terminal
e nunca ninguém me disse
BLUR - TENDER (13, 1999)
sábado, 27 de dezembro de 2008
Dois Mil e Oito
Em tempos idos, deixava nos comentários espalhados pelos blogs que todos os dias visito um comentário ou outro. Era norma que fosse extenssíssimo e demorado, de tal maneira que o blog ficava perdido no meio de uma grande confusão.
Por isso, num 2008 que foi tão vazio e atafulhado, um norte sem sul, o tempo que a si próprio se fez esquecer, como uma montanha-russa da qual, afinal, temos tanto medo que acabámos por desejar nem sempre ter passado pela vista, não queria por nada fazer uma lista dos meus discos favoritos. Mas ficaria tudo como 2006 em que não consegui também fazer uma lista nem nada? Nem pensar.
Portanto, posso divagar um pedacinho como faço nos vossos blogs malta?
Bom, posso dizer que o meu ano discográfico ficou feito por volta de finais de Agosto, do final da “silly-season”. Numa acção inesperada, os Bloc Party lançaram para a Internet “Intimacy”, o aguardado 3º álbum, o tira-teimas. Tal como os Radiohead, e até pela edição física em CD posteriormente, os Bloc Party esperam colher resultados e lançar singles por 2009 fora e render o seu trabalho.
“Mercury”, o 1º avanço afinal deste novo registo, chateou à séria uma tremenda quantidade de fãs. E…a mim também. Contudo, sabe-se que um single não pode definir um álbum de 10 canções ou mais, e para mim este single não o faz certamente. “Intimacy” foi uma reviravolta dentro da continuidade, a mesma que levou os Late of The Pier, Vampire Weekend, Black Kids ou Glasvegas a triunfarem num ano em que os discos de estreia de novas bandas não tiveram o impacto de outros anos, e muitos outros 2ºs desafios foram lançados na sombra do “underground”, casos dos álbuns dos The Automatic ou The Departure. Talvez “A Weekend to The City” tenha sido mesmo o passo em falso necessário para uma verdadeira progressão. Não que “Silent Alarm” e “A Weekend…” tenham dado directamente a “Intimacy”, mas nota-se claramente uma mescla dos argumentos mais fortes de cada um dos dois. Canções fortíssimas mas ásperas como “Trojan Horse”, “Halo”, “One Month Off”, misturam-se no mesmo disco em que há lugar para uma ASSOMBROSA “Zephyrus”, “Biko”, “Signs”, “Better Than Heaven” e “Ion Square” sem a ineficácia de canções do 2º disco, mas pautando-se por um explorar de electrónica e de ritmos variados que lembra a digressão sem regresso do CD de 2007.
Uma escolha desacertada? Descontextualizada? Bom, não quero vir aqui dizer que os LCD Soundsystem (que editaram em 2008 o maior auto-elogio às suas próprias canções como regra de código – “Big Ideas”) ou os Bloc Party estão no “main event” e ganharam um posto, mas se calhar são colectivos cuja mestria e intensidade, neste momento, não é igualada por muitos e tão consistentemente, especialmente no caso da multidão que acompanha (?) o dono da DFA.
Os restantes lugares do “top”…bem, é extremamente complicado escalonar tão bons discos que tivemos também em 2008. A Austrália afirmou-se mais uma vez um berço de pop arrasadora, trazendo a confirmação dos Presets e dos Cut Copy como marcas de fundo num país em que Pip Brown aka Ladyhawke saiu dos Teenager por uns instantes e deu outro belo disco. Não esquecer claro, as estreias dos Pendulum e Grafton Primary (apoiadíssimos por aqui) ou dos Mercy Arms.
Derivando de nomes como estes, surgem como novas pistas colectivos ou pessoas singulares que remisturaram alguns temas, trazendo a rede enorme do “Myspace” para o espaço para os parêntesis que à frente do nome da canção trazem lá “remix” ou “version” também. De todo previsível após 2007, com as estreias dos The Whip e Black Ghosts a fazerem correcta gestão de expectativas e impulsos.
A música alternativa ou “indie” tem coordenadas ressuscitadas e continua a revitalização de 2007 e de anos anteriores desencadeada pelos Arcade Fire, Of Montreal e Broken Social Scene, enormes agrupamentos de que diversas figuras, saindo por uns tempos ou rompendo mesmo os laços, aproveitaram para continuar a criar, como Final Fantasy ou Kevin Drew, em 2007. As bandas podem não ser tão grandes, mas dos Field Music saiu o projecto A Week That Was, o dono dos Deerhunter edita novo disco e desdobra-se como Atlas Sound, aparecem os Shearwater e outros mais.
Não são apenas os mesmos a ter direito a saudações: Bon Iver ou Simon Bookish são rostos de estreias ou de maior visibilidade que algumas bandas tiveram finalmente em 2008.
Continuando, há quem tenha futuro e há quem não tenha. Os Baumer separaram-se e deixaram um 2º disco, “Were It Not For You”, que pessoalmente deixa-me imensas saudades de uma banda que tinha um futuro mais que risonho. Espero que não aconteça isso com os The Idle Hands, por exemplo (lembram-se deles e de “Loaded”?).
Os Idle Hands, por sua vez, que têm a ver com os Stone Roses? Será que podem ajudar a continuar esta viagem? De facto, 2008 foi o ano de mais regressos e reuniões anunciadas, como a dos Madness – ah, peço desculpa, e já agora…só falta convencer Ian Brown. A melhor notícia da “pequenada” dos anos 70, 80 e 90 foi trazida sem sombra de dúvidas por “Death Magnetic”, dos Metallica. E...tcharan! “Chinese Democracy” saiu da nébula, esteve quase 20 anos à espera, mas está cá fora. E o regresso podia ter sido pior…o que vai acontecer ao aguardado sucessor de “100th Window” dos Massive Attack?
Para terminar o assunto “reuniões”, falta falar nas reuniões “não-anunciadas” e tão badaladas mas que cimentaram fortemente um desejo de um regresso em conjunto: Last Shadow Puppets (os Arctic’s têm regresso marcado para 2009, cortesia de Josh Homme na cabine de produção, e os The Rascals têm que trabalhar mais um pouquinho…e não é culpa do produtor) e David Byrne+Brian Eno.
Se olharmos para os artistas com maior projecção, os Coldplay prometiam muito com “Violet Hill” mas ficaram-se por tentar convencer quem os adora a não desistir deles em vez de finalmente decidirem se deixam que Brian Eno lhes dê “Brains”, Madonna perdeu-se um pouco em 2008, mas não muito; Rihanna continua a agigantar-se, Britney Spears começa a ir pelo mesmo caminho, mas a sair do fundo do poço, e Estelle, Jason Mraz e Duffy deram o primeiro passo rumo ao grande público, com mais ou menos segurança, o que não lhes fica nada mal tendo em conta canções como “Magnificent”, “Life is Wonderful” ou “Warwick Avenue”. Katy Perry, essa sim, já joga um "play-back", uma espécie de "rewind in time" com a pop e sabe que não será apagada de 2008. Já Alicia Keys disse com razão que era uma "Superwoman", mas encontrou "Another Way..." para levar Jack White consigo para um anti-clímax que serviu de soundtrack ao segundo filme de Daniel Craig como "Double Oh".
Nem todos os que se propuseram a caminhar em direcção à realização, monetária e não só, das suas carreiras o conseguiram. Foi o caso dos Cansei de Ser Sexy, que deram um valente trambolhão com “Donkey”, quer nas vendas, quer nos pontos fortes da sua música que cobriam francas lacunas. Com “Inside In, Inside Out”, atingiram o sucesso imediato e foram deificados quase um pouco por todo o Mundo, conseguindo aglomerar vários públicos em torno das suas excelentes vibrações e sentido de oportunidade. Para uns estagnados, para mim continuando a fazer óptimas canções, os The Kooks editaram “Konk” e, apesar da forte aposta, não houve o retorno desejado, uma vez que bandas como os MGMT extravasaram horizontes e…estão quase “na moda” enquanto não mostram nos singles a veia experimental que tão bem se fundiu com a pop-electrónica “trave-mestra” de “Oracular Spectacular”. Após terem posto os dois pés em terreno de aceitação global, os The Killers mantiveram a forma de cantar de Brandon Flowers numa fina linha entre o delirante e o horrendo, deixaram “Sam’s Town” para trás com a missão cumprida (pelo menos para mim que não desgostei assim tanto do disco…) e voltaram à sua mansão dourada onde a “synth-pop” puxa o lustro e aponta rumos certeiros para letras, ideias e vozes. Terão conseguido de vez o “airplay” que reclamam com razão?
E houve Kings of Leon, houve Ben Folds e quantos mais que ressurgiram e recusaram-se a assinar o livro de São Pedro num suposto "paraíso/Céu musical". Pilares de força de 2008, sem dúvida.
Por fim, em Portugal, menos nomes saíram do que os novos nomes que se afirmaram. Brevemente gostava de ouvir as propostas dos The Portugals e de João e a Sombra, mas em 2008 foi hora dos Feromona, dos Peixe:Avião, de Rita Redshoes, dos Pontos Negros, dos Macacos do Chinês, de Noiserv e de outros, que como os Buraka Som Sistema, não deram “tiros no pé”, e que ao contrário dos Deolinda, não tiveram o sucesso merecido. Foi tempo dos X-Wife e de outros continuarem a mostrar que os nossos melhores representantes musicais no século XXI são, de facto, muito muito bons.
A Consoada Flor Caveira foi o ponto de exclamação na afirmação desta “nova” editora/família. E o Tony Carreira, as Just Girls e a “kizombada” toda continuam no topo…das vendas.
Em outros campos, pouco mais há a destacar. “Gossip Girl” e a saga “Flight of The Conchords” (também extensível a disco dos próprios Flight of The Conchords), para muitos, vieram romper com um interlúdio extenso, consequência também da greve dos argumentistas, em relação ao surgimento de novas séries de interesse. A rádio continua exactamente na mesma, com os melhores à procura de um país mais desenvolvido, e a TV por Cabo continua a ser responsável por trazer o indispensável Jon Stewart e os bonequinhos kitsch do “South Park” para responder às preces tipo: “Patrões da TV, de bolsos cheios e a tentarem não ser ‘Madoffs’ também, dêem-nos mais que ‘Os Contemporâneos’, ‘Sociedade Civil’, os bons programas nacionais sem orçamento para quase nada e as boas séries que não são feitas em Portugal…”
Fica o vídeo do 3º single de “Intimacy” e a “melhor canção” de um evento que tem vindo a perder o impacto e substância que levava aos agentes passivos e activos da indústria musical – trata-se do Festival Eurovisão.
Pelo meio, à falta de grandes apostas num ano em que se prevê quem sabe uma viragem de cena musical e uma centralização maior no “nu-disco” (de que já vimos amostras na excelente estreia dos Hercules & Love Affair e nas propostas dos Aeroplane (principalmente), Little Boots e Anoraak) sustentado recentemente pelos Chromatics e Glass Candy com óptimos resultados, fica o regresso de uma das maiores bandas da primeira década do século XXI com “pompa e circunstância” no nome do single, chamada de atenção no título do CD e um irresistível e sumptuoso incentivo à descontracção canção fora.
Este post fica inacabado enquanto vou pensar quem é que os MGMT superaram em 2007, boa?
Tenham um excelente 2009 e concretizem os vossos sonhos, desde que uma das 12 passas vos traga alento para sobreviverem a mais outra crise. Please!
BLOC PARTY - ONE MONTH OFF (INTIMACY. 2008)
FRANZ FERDINAND - ULYSSES (TONIGHT:FRANZ FERDINAND, 2009)
SEBASTIEN TELLIER - DIVINE (SEXUALITY, 2008)
Por isso, num 2008 que foi tão vazio e atafulhado, um norte sem sul, o tempo que a si próprio se fez esquecer, como uma montanha-russa da qual, afinal, temos tanto medo que acabámos por desejar nem sempre ter passado pela vista, não queria por nada fazer uma lista dos meus discos favoritos. Mas ficaria tudo como 2006 em que não consegui também fazer uma lista nem nada? Nem pensar.
Portanto, posso divagar um pedacinho como faço nos vossos blogs malta?
Bom, posso dizer que o meu ano discográfico ficou feito por volta de finais de Agosto, do final da “silly-season”. Numa acção inesperada, os Bloc Party lançaram para a Internet “Intimacy”, o aguardado 3º álbum, o tira-teimas. Tal como os Radiohead, e até pela edição física em CD posteriormente, os Bloc Party esperam colher resultados e lançar singles por 2009 fora e render o seu trabalho.
“Mercury”, o 1º avanço afinal deste novo registo, chateou à séria uma tremenda quantidade de fãs. E…a mim também. Contudo, sabe-se que um single não pode definir um álbum de 10 canções ou mais, e para mim este single não o faz certamente. “Intimacy” foi uma reviravolta dentro da continuidade, a mesma que levou os Late of The Pier, Vampire Weekend, Black Kids ou Glasvegas a triunfarem num ano em que os discos de estreia de novas bandas não tiveram o impacto de outros anos, e muitos outros 2ºs desafios foram lançados na sombra do “underground”, casos dos álbuns dos The Automatic ou The Departure. Talvez “A Weekend to The City” tenha sido mesmo o passo em falso necessário para uma verdadeira progressão. Não que “Silent Alarm” e “A Weekend…” tenham dado directamente a “Intimacy”, mas nota-se claramente uma mescla dos argumentos mais fortes de cada um dos dois. Canções fortíssimas mas ásperas como “Trojan Horse”, “Halo”, “One Month Off”, misturam-se no mesmo disco em que há lugar para uma ASSOMBROSA “Zephyrus”, “Biko”, “Signs”, “Better Than Heaven” e “Ion Square” sem a ineficácia de canções do 2º disco, mas pautando-se por um explorar de electrónica e de ritmos variados que lembra a digressão sem regresso do CD de 2007.
Uma escolha desacertada? Descontextualizada? Bom, não quero vir aqui dizer que os LCD Soundsystem (que editaram em 2008 o maior auto-elogio às suas próprias canções como regra de código – “Big Ideas”) ou os Bloc Party estão no “main event” e ganharam um posto, mas se calhar são colectivos cuja mestria e intensidade, neste momento, não é igualada por muitos e tão consistentemente, especialmente no caso da multidão que acompanha (?) o dono da DFA.
Os restantes lugares do “top”…bem, é extremamente complicado escalonar tão bons discos que tivemos também em 2008. A Austrália afirmou-se mais uma vez um berço de pop arrasadora, trazendo a confirmação dos Presets e dos Cut Copy como marcas de fundo num país em que Pip Brown aka Ladyhawke saiu dos Teenager por uns instantes e deu outro belo disco. Não esquecer claro, as estreias dos Pendulum e Grafton Primary (apoiadíssimos por aqui) ou dos Mercy Arms.
Derivando de nomes como estes, surgem como novas pistas colectivos ou pessoas singulares que remisturaram alguns temas, trazendo a rede enorme do “Myspace” para o espaço para os parêntesis que à frente do nome da canção trazem lá “remix” ou “version” também. De todo previsível após 2007, com as estreias dos The Whip e Black Ghosts a fazerem correcta gestão de expectativas e impulsos.
A música alternativa ou “indie” tem coordenadas ressuscitadas e continua a revitalização de 2007 e de anos anteriores desencadeada pelos Arcade Fire, Of Montreal e Broken Social Scene, enormes agrupamentos de que diversas figuras, saindo por uns tempos ou rompendo mesmo os laços, aproveitaram para continuar a criar, como Final Fantasy ou Kevin Drew, em 2007. As bandas podem não ser tão grandes, mas dos Field Music saiu o projecto A Week That Was, o dono dos Deerhunter edita novo disco e desdobra-se como Atlas Sound, aparecem os Shearwater e outros mais.
Não são apenas os mesmos a ter direito a saudações: Bon Iver ou Simon Bookish são rostos de estreias ou de maior visibilidade que algumas bandas tiveram finalmente em 2008.
Continuando, há quem tenha futuro e há quem não tenha. Os Baumer separaram-se e deixaram um 2º disco, “Were It Not For You”, que pessoalmente deixa-me imensas saudades de uma banda que tinha um futuro mais que risonho. Espero que não aconteça isso com os The Idle Hands, por exemplo (lembram-se deles e de “Loaded”?).
Os Idle Hands, por sua vez, que têm a ver com os Stone Roses? Será que podem ajudar a continuar esta viagem? De facto, 2008 foi o ano de mais regressos e reuniões anunciadas, como a dos Madness – ah, peço desculpa, e já agora…só falta convencer Ian Brown. A melhor notícia da “pequenada” dos anos 70, 80 e 90 foi trazida sem sombra de dúvidas por “Death Magnetic”, dos Metallica. E...tcharan! “Chinese Democracy” saiu da nébula, esteve quase 20 anos à espera, mas está cá fora. E o regresso podia ter sido pior…o que vai acontecer ao aguardado sucessor de “100th Window” dos Massive Attack?
Para terminar o assunto “reuniões”, falta falar nas reuniões “não-anunciadas” e tão badaladas mas que cimentaram fortemente um desejo de um regresso em conjunto: Last Shadow Puppets (os Arctic’s têm regresso marcado para 2009, cortesia de Josh Homme na cabine de produção, e os The Rascals têm que trabalhar mais um pouquinho…e não é culpa do produtor) e David Byrne+Brian Eno.
Se olharmos para os artistas com maior projecção, os Coldplay prometiam muito com “Violet Hill” mas ficaram-se por tentar convencer quem os adora a não desistir deles em vez de finalmente decidirem se deixam que Brian Eno lhes dê “Brains”, Madonna perdeu-se um pouco em 2008, mas não muito; Rihanna continua a agigantar-se, Britney Spears começa a ir pelo mesmo caminho, mas a sair do fundo do poço, e Estelle, Jason Mraz e Duffy deram o primeiro passo rumo ao grande público, com mais ou menos segurança, o que não lhes fica nada mal tendo em conta canções como “Magnificent”, “Life is Wonderful” ou “Warwick Avenue”. Katy Perry, essa sim, já joga um "play-back", uma espécie de "rewind in time" com a pop e sabe que não será apagada de 2008. Já Alicia Keys disse com razão que era uma "Superwoman", mas encontrou "Another Way..." para levar Jack White consigo para um anti-clímax que serviu de soundtrack ao segundo filme de Daniel Craig como "Double Oh".
Nem todos os que se propuseram a caminhar em direcção à realização, monetária e não só, das suas carreiras o conseguiram. Foi o caso dos Cansei de Ser Sexy, que deram um valente trambolhão com “Donkey”, quer nas vendas, quer nos pontos fortes da sua música que cobriam francas lacunas. Com “Inside In, Inside Out”, atingiram o sucesso imediato e foram deificados quase um pouco por todo o Mundo, conseguindo aglomerar vários públicos em torno das suas excelentes vibrações e sentido de oportunidade. Para uns estagnados, para mim continuando a fazer óptimas canções, os The Kooks editaram “Konk” e, apesar da forte aposta, não houve o retorno desejado, uma vez que bandas como os MGMT extravasaram horizontes e…estão quase “na moda” enquanto não mostram nos singles a veia experimental que tão bem se fundiu com a pop-electrónica “trave-mestra” de “Oracular Spectacular”. Após terem posto os dois pés em terreno de aceitação global, os The Killers mantiveram a forma de cantar de Brandon Flowers numa fina linha entre o delirante e o horrendo, deixaram “Sam’s Town” para trás com a missão cumprida (pelo menos para mim que não desgostei assim tanto do disco…) e voltaram à sua mansão dourada onde a “synth-pop” puxa o lustro e aponta rumos certeiros para letras, ideias e vozes. Terão conseguido de vez o “airplay” que reclamam com razão?
E houve Kings of Leon, houve Ben Folds e quantos mais que ressurgiram e recusaram-se a assinar o livro de São Pedro num suposto "paraíso/Céu musical". Pilares de força de 2008, sem dúvida.
Por fim, em Portugal, menos nomes saíram do que os novos nomes que se afirmaram. Brevemente gostava de ouvir as propostas dos The Portugals e de João e a Sombra, mas em 2008 foi hora dos Feromona, dos Peixe:Avião, de Rita Redshoes, dos Pontos Negros, dos Macacos do Chinês, de Noiserv e de outros, que como os Buraka Som Sistema, não deram “tiros no pé”, e que ao contrário dos Deolinda, não tiveram o sucesso merecido. Foi tempo dos X-Wife e de outros continuarem a mostrar que os nossos melhores representantes musicais no século XXI são, de facto, muito muito bons.
A Consoada Flor Caveira foi o ponto de exclamação na afirmação desta “nova” editora/família. E o Tony Carreira, as Just Girls e a “kizombada” toda continuam no topo…das vendas.
Em outros campos, pouco mais há a destacar. “Gossip Girl” e a saga “Flight of The Conchords” (também extensível a disco dos próprios Flight of The Conchords), para muitos, vieram romper com um interlúdio extenso, consequência também da greve dos argumentistas, em relação ao surgimento de novas séries de interesse. A rádio continua exactamente na mesma, com os melhores à procura de um país mais desenvolvido, e a TV por Cabo continua a ser responsável por trazer o indispensável Jon Stewart e os bonequinhos kitsch do “South Park” para responder às preces tipo: “Patrões da TV, de bolsos cheios e a tentarem não ser ‘Madoffs’ também, dêem-nos mais que ‘Os Contemporâneos’, ‘Sociedade Civil’, os bons programas nacionais sem orçamento para quase nada e as boas séries que não são feitas em Portugal…”
Fica o vídeo do 3º single de “Intimacy” e a “melhor canção” de um evento que tem vindo a perder o impacto e substância que levava aos agentes passivos e activos da indústria musical – trata-se do Festival Eurovisão.
Pelo meio, à falta de grandes apostas num ano em que se prevê quem sabe uma viragem de cena musical e uma centralização maior no “nu-disco” (de que já vimos amostras na excelente estreia dos Hercules & Love Affair e nas propostas dos Aeroplane (principalmente), Little Boots e Anoraak) sustentado recentemente pelos Chromatics e Glass Candy com óptimos resultados, fica o regresso de uma das maiores bandas da primeira década do século XXI com “pompa e circunstância” no nome do single, chamada de atenção no título do CD e um irresistível e sumptuoso incentivo à descontracção canção fora.
Este post fica inacabado enquanto vou pensar quem é que os MGMT superaram em 2007, boa?
Tenham um excelente 2009 e concretizem os vossos sonhos, desde que uma das 12 passas vos traga alento para sobreviverem a mais outra crise. Please!
BLOC PARTY - ONE MONTH OFF (INTIMACY. 2008)
FRANZ FERDINAND - ULYSSES (TONIGHT:FRANZ FERDINAND, 2009)
SEBASTIEN TELLIER - DIVINE (SEXUALITY, 2008)
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Fará algum sentido começar este post com “Related Words: O TOQUE DE MIDAS”?
Talvez, mas paremos por aqui. O que é facto é que com derrotas com sabor a vitória, com chatices que sabem a vontade de crescer e romper com qualquer coisa, com perdas que conduzem à salvação de todos, os maiores vícios de sempre sobrevoam a “tona da água”, atormentam-na e enfurecem-na como se transformá-la num monstro do Loch Ness fosse necessário para dar algum sentido a uma vida já de si perdida num imenso desnorte típico de uma época natalícia – versão académica.
O que então sobra? A alegria de pertencer ao Núcleo de Rádio e não saber para é que sirvo ainda, os amigos de que de vez em quando se duvida, o tal filme que vem dizer que no Natal mais vale pôr o MP3 em antena, e uma vontade agora enorme de fazer o tal “up to date” em relação à música de 2008 e de escrever qualquer coisa urgentemente para toda a gente que não me queira ler. São todos vícios que andaram a ser atacados mas que continuarão cá.
Um deles será também ter a convicção maníaca de que cultura pop é mesmo cultura pop. Por isso, há artistas cuja contribuição parece que vai continuar ensombrada por falsos salvadores que são como lentes de contacto: no final de contas, terás que “chorar” por eles.
É meu vício ver que Rihanna está a crescer, tomou um caminho de construção de identidade que se assemelha a um adolescente que não vai parar de quebrar cada espelho que encontre até encontrar o seu verdadeiro “eu”.
Que é ela que define o topo, que é “A INTOCÁVEL” a cada ano que passa (em 2008, na companhia de Estelle e Jason Mraz) no “mainstream”, que cria uma sobre-imagem que caminha alegremente para estorvar a compreensão da “menina-senhora” em que se tornou.
A minha mania agradável: acreditar que poderá não olhar para trás, como eu que procuro vestígios de qualquer coisa em constante mudança num vício sem fim.
E não queria eu falar de vícios!...
T.I FEAT. RIHANNA – LIVE YOUR LIFE (PAPER TRAIL, 2008)
Talvez, mas paremos por aqui. O que é facto é que com derrotas com sabor a vitória, com chatices que sabem a vontade de crescer e romper com qualquer coisa, com perdas que conduzem à salvação de todos, os maiores vícios de sempre sobrevoam a “tona da água”, atormentam-na e enfurecem-na como se transformá-la num monstro do Loch Ness fosse necessário para dar algum sentido a uma vida já de si perdida num imenso desnorte típico de uma época natalícia – versão académica.
O que então sobra? A alegria de pertencer ao Núcleo de Rádio e não saber para é que sirvo ainda, os amigos de que de vez em quando se duvida, o tal filme que vem dizer que no Natal mais vale pôr o MP3 em antena, e uma vontade agora enorme de fazer o tal “up to date” em relação à música de 2008 e de escrever qualquer coisa urgentemente para toda a gente que não me queira ler. São todos vícios que andaram a ser atacados mas que continuarão cá.
Um deles será também ter a convicção maníaca de que cultura pop é mesmo cultura pop. Por isso, há artistas cuja contribuição parece que vai continuar ensombrada por falsos salvadores que são como lentes de contacto: no final de contas, terás que “chorar” por eles.
É meu vício ver que Rihanna está a crescer, tomou um caminho de construção de identidade que se assemelha a um adolescente que não vai parar de quebrar cada espelho que encontre até encontrar o seu verdadeiro “eu”.
Que é ela que define o topo, que é “A INTOCÁVEL” a cada ano que passa (em 2008, na companhia de Estelle e Jason Mraz) no “mainstream”, que cria uma sobre-imagem que caminha alegremente para estorvar a compreensão da “menina-senhora” em que se tornou.
A minha mania agradável: acreditar que poderá não olhar para trás, como eu que procuro vestígios de qualquer coisa em constante mudança num vício sem fim.
E não queria eu falar de vícios!...
T.I FEAT. RIHANNA – LIVE YOUR LIFE (PAPER TRAIL, 2008)
domingo, 23 de novembro de 2008
Novos Projectos
Olá a todos
Em primeiro lugar, as desculpas habituais a quem por aqui tenta passar e não encontra novidades. Infelizmente, devido a vários projectos intra ou extra-faculdade que me têm ocupado bastante tempo e à vida académica que este ano está completamente "ao rubro", este espaço foi relegado para um plano muitíssimo inferior.
Contudo, a minha ligação este ano ao Núcleo de Rádio da AEFFUL vem ajudar e muito nesta fase, pois algumas reviews dos poucos concertos que fui até agora desde o começo do ano lectivo poderão ser lá encontradas agora também, bem como as playlists das horas a que estou aos comandos de uma emissão, esta sim, verdadeiramente "pirata".
Será então mais um motivo para, por arrasto, este blog ganhar talvez mais vida. Não garanto que assim seja, e concordo que também não deveria ser assim.
Ficam os meus agradecimentos a todos. Em breve o blog também retomará a roupagem de outros tempos...
Para despedida, fica também um dos tema que amanhã não faltarão (se tudo correr bem...) na minha emissão 0, uma espécie de apresentação superficial, quer minha enquanto ouvinte, quer de alguma nova música incontornável de 2008.
JOY DIVISION - HEART AND SOUL (CLOSER, 1980)
Cheers...
André Gomes de Abreu
NRAEFFUL
Segunda-feira - 15-17h
Sexta-feira - 14-16h
Em primeiro lugar, as desculpas habituais a quem por aqui tenta passar e não encontra novidades. Infelizmente, devido a vários projectos intra ou extra-faculdade que me têm ocupado bastante tempo e à vida académica que este ano está completamente "ao rubro", este espaço foi relegado para um plano muitíssimo inferior.
Contudo, a minha ligação este ano ao Núcleo de Rádio da AEFFUL vem ajudar e muito nesta fase, pois algumas reviews dos poucos concertos que fui até agora desde o começo do ano lectivo poderão ser lá encontradas agora também, bem como as playlists das horas a que estou aos comandos de uma emissão, esta sim, verdadeiramente "pirata".
Será então mais um motivo para, por arrasto, este blog ganhar talvez mais vida. Não garanto que assim seja, e concordo que também não deveria ser assim.
Ficam os meus agradecimentos a todos. Em breve o blog também retomará a roupagem de outros tempos...
Para despedida, fica também um dos tema que amanhã não faltarão (se tudo correr bem...) na minha emissão 0, uma espécie de apresentação superficial, quer minha enquanto ouvinte, quer de alguma nova música incontornável de 2008.
JOY DIVISION - HEART AND SOUL (CLOSER, 1980)
Cheers...
André Gomes de Abreu
NRAEFFUL
Segunda-feira - 15-17h
Sexta-feira - 14-16h
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